CLICK ENTREVISTA

MANO LIMA
Cantor Gaúcho

10.06.2008 - Entrevista realizada por Felipe Severo

      Mário Rubens Battanoli de Lima, ou Mano Lima, foi conduzido ao mundo musical pelo eternizado Apparício Silva Rillo, que via Mano como uma verdade. Seus versos encontram-se no caderno do universitário e no bilhete escrito errado de um “índio” apaixonado que rabisca para a morena. Mano respondeu as perguntas de maneira informal, falou em valores, amizade e política. Vale salientar que esta entrevista foi indicada ao Troféu Galo de Pampa, de São Borja, como melhor entrevista.

Como você vê a aculturação dos nossos jovens?
A mídia influencia muito na conduta do jovem. Penso que a falta de valores é um dos maiores problemas do Brasil.

Um poeta na qual você tem admiração.
Apparício Silva Rillo. Eu queria conhecê-lo fazia tempo. Certo dia assei um churrasco pra ele numa estância em que trabalhava e nos conhecemos.

Um cantor.
Gildo de Freitas pela autenticidade, Teixerinha pelo poder de voz, José Mendes pelo romantismo e o argentino Jorge Cafrune pelo estilo original.

Uma de suas músicas.
Timbre de galo, que Apparício compôs para mim.

Como é a sua rotina atualmente?
Campo. O campo é a hemoglobina do gaúcho.

Porque não participa mais dos festivais de música nativista?
Admiro muito os festivais. Participei de alguns e ganhei um com a música “Quarto de Ronda”. Penso que a música é para cantar e não para competir. A música é sensibilidade. Hoje, nos festivais, vejo muita hostilidade entre os irmãos de profissão.

E o DVD, hein?
Sim. Aceito se for de maneira histórica. Ensinando costumes campeiros, como: botar uma tropa n'água, abrir um quarto de ovelha pra colocar nos "arreio", etc. Mesclando música e costumes sim, somente musical não.

Qual sua opinião sobre a atual política brasileira e seus escândalos?
A moral política brasileira deve ser levantada imediatamente. Diminuindo os salários, pensando mais no interesse coletivo, da pátria. Antigamente os políticos tinham mais valor do que hoje. Com a diminuição dos salários, quem se candidatasse estaria realmente interessado no trabalho em prol de todos. O quadro entre música e política se inverteu. Antigamente o músico era desprivilegiado e o político era respeitado. Hoje é o contrário, o político não tem crédito e a música é respeitada. Vejo que o mal se uniu e o bem se desuniu.

Tua opinião sobre MST.
A culpa é dos militares atuais. Os bandidos anarquizaram com o exército atual, porque antigamente o exército era exemplo de disciplina. Deixaram que a miséria e a degradação do ser humano fosse tomando conta. Então isso tudo (MST) é resultado. A reforma agrária da maneira atual é um erro. É fruto dessa desordem no país, da prepotência e falta de humildade de quem se “adona” de tudo e esquece dos outros.

Bom seria que cada um que conquistasse seu pedaço de terra como eu conquistei, através do trabalho, sem receber título de nada, mas que conquistasse um lugar no mundo. “Ensine a pescar e não dê o peixe” - diz na Bíblia - para não tirar do homem o que há de melhor nele, que é a sua auto-estima.

Mas como nada disso acontece, torcemos por uma reforma agrária bem feita, ou seja, uma reforma na cabeça das pessoas, com educação e ensinando a trabalhar, através de escolas agrícolas. Como vou matar a fome de alguém dando um boi, se esse alguém não sabe ao menos carneá-lo?

Não defendo os estancieiros, eles são os causadores do mal que aí está. O capitalismo selvagem e o comunismo, um é filhote do outro. A mágoa vem da prepotência. Por isso a reforma maior a ser feita é a do ser humano. Como nosso exemplo vem de cima, temos que reformar primeiro os políticos.
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